Cássia dos Coqueiros

Por Marcos em 7 de agosto de 2016
Cassia dos Coqueiros

Aventura em Cássia dos Coqueiros, uma cidadezinha próxima a Cajuru, interior de SP. A busca pela Cachoeira do Itambé. Esteja preparado e em forma que a aventura vai começar…

 

 

Sábado de sol chamando uma saída, acordamos cedo e preparamos a mochila; nosso destino: Cássia dos Coqueiros. Eu, particularmente, nunca tinha ouvido falar desta cidade, embora relativamente próximo de onde moramos, para mim ainda era desconhecida. Isto reforça minha tese de que temos próximo de onde moramos excelentes locais para passeios de aventuras ou de descanso, basta pesquisar. E normalmente são passeios de valores acessíveis.

SP 340

Bem, rodovia SP 340 rumo a Mococa, a SP 340 é uma rodovia duplicada e em excelente estado de conservação, quase sem curva, o motor do carro trabalha suave, com poucas trocas de marcha, o que ajuda no consumo de combustível.

Na saída 268 saímos da SP 340 e pegamos o acesso à SP 338 sentido Cajuru. Aqui a rodovia é ruim, de pista simples e com bastante caminhão canavieiro. Cuidado e atenção nela. São aproximadamente 45 km de SP 338 até o trevo de acesso à Cássia dos Coqueiros. Entre à direita, rode mais uns 14 km e a entrada da cidade estará bem a sua frente. Uma estátua de Santa Rita de Cássia, padroeira da cidade lhe dá as boas vindas. E tenha certeza, você vai precisar da ajuda dela.. rs.

Imagem de Santa Rita de Cássia

O nome da cidade, pelo menos a história que encontrei, está relacionada a passagem dos Bandeirantes, que sempre vislumbravam a quantidade de coqueiros naquela região. Um deles, ao criar um povoado, ergueu uma capela a sua santa de devoção: Santa Rita de Cássia, assim a cidade ficou conhecida como Cássia dos Coqueiros. Legal, diferente o nome.

Chegando ao trevo você vira à direita e segue em frente, irá atravessar a cidade, que como disse, é pequena e você logo está em uma rodovia vicinal, asfaltada e em bom estado. 5 minutos e você irá encontrar esta placa:

Entrada

A Cachoeira do Itambé está em uma propriedade particular, então, é cobrado R$ 10,00 por pessoa para o acesso, pagos na entrada, e lhe dão um comprovante como este aí abaixo…

Ingresso

Atenção: Como é uma área particular não aceitam nenhum tipo de cartão, tudo no dinheiro, então lembre-se de levar um pouco, pois lá tem um barzinho que vende porções, refrigerantes e cervejas a preço bons.

O local é muito bonito, bem cuidado tem banheiros limpos e se tiver sorte vai ver uns macacos que vem lhe dar boas vindas e são mansos. A criançada adora…

Comissão de frente

Macaquinhos são legais e divertidos, mas não foi para ver macacos que viemos aqui… então vamos em frente. Localizamos a descida para a cachoeira, são 3 trilhas que se juntam adiante, pegamos a mais utilizada. Respire fundo, faça um alongamento e vá em frente.

A descida toda deve ter uns 300 metros, íngreme, muito íngreme. Cordas irão auxiliar a descida, mas apenas auxiliar. As vezes você desce de frente, as vezes de costas, as vezes sentado, e algumas vezes escorregando mesmo!

Trilha 1
Trilha 2
Trilha 3
Trilha 4

Ali você tem a natureza em estado puro, árvores, pássaros, flores, vegetação rasteira, insetos, mas infelizmente e infelizmente mesmo, o rastro de um ser que acha inteligente: O Homem. É inacreditável que existam ainda pessoas que vão a lugar assim e fazem questão de deixar sua mais pura personalidade marcada: A falta de educação, civilidade e cidadania. Em lugar destes olha o que você vimos:

Imbecilidade humana

Uma lata de cerveja jogada pelo caminho, e não era única, havia mais,  garrafas de água e muitas outras porquices. Eu não tenho dúvidas, educação é de berço. Desculpem, mas fico indignado. Voltando..

Você vai saber que está chegando quando tiver que atravessar um trecho de pedras e água. Este abaixo..

Riacho 1
Riacho 2

Passado o riachinho, a trilha fica um pouco melhor, pois a maior parte dos 300 metros já descemos, e levamos mais de 20 minutos até aqui..

Trilha mais branda

No caminho, é claro, fomos parando para fotos porque aqui o cenário fica mais bonito ainda, com água, pedras, árvores..

Vista 1
Vista 2
vista 3

Passado este trecho você já avista de perto a cachoeira do Itambé, o som vai aumentando e sua ansiedade também. O caminho volta a ficar difícil, mas agora é de subida e de pedras, pequenas, grandes, altas, baixas, mas a vontade de chegar lá se sobrepõe ao esforço necessário…

Caminho 1
caminho 2
Caminho 3
Itambé 1

Passado o caminho mais pesado das pedras chegamos ao pé da Cachoeira do Itambé, é simplesmente indescritível o cenário, você não sabe se contempla, se entra na água, se faz fotos…

Itambe 6
https://www.youtube.com/watch?v=0ffzDx3DDDE

 

E imaginar que esta bela obra da natureza, com uma queda fantástica e poderosa vem deste pequeno riacho:

Riacho 1
Riacho 2

A queda é de mais de 80 metros, paredões rochosos nas laterias, uma névoa de água gelada te deixa bem molhado, mas colocar os pés na água é irresistível. Estamos no inverno e consequentemente de pouca água, no verão deve ser demais ver um alto volume de água paredão abaixo. Ao pé da queda forma uma piscina natural que é possível entrar e se deliciar..

Piscina 1
Piscina 2

É possível também atingir a queda d´agua, o caminho é de mais pedras e como a brisa da cachoeira molha tudo ao redor inclusive estas pedras, fica um tanto perigoso. Mas dá pra ir. Eu não fui, já que estava de frente com meu objetivo. Sinceramente não dá vontade de sair de lá tão cedo.

Caminho 1
Caminho 2

Acontece que na descida, que levou 30 minutos já começamos a imaginar a subida, que não seria fácil. E não foi. Ficamos um tempo ao pé da cachoeira curtindo a paisagem, sentindo a natureza, lanchamos, bebemos muita água e começamos a pensar na subida..

Básica

Um pouco descansados iniciamos a subida, levou 50 minutos o trajeto de volta, claro que fomos parando para recuperar folego e continuar, também apreciar um pouco mais o caminho, até que rendeu fotos legais, como esta em uma árvore que parece um rosto..

Após a cansativa subida fomos ao barzinho, beber e comer algo e, principalmente, recuperar as energias, que com certeza ficaram todas naquela trilha. Como disse anteriormente o barzinho é simples, mas organizado. Tem mesinhas espalhadas pela sacada que dá vista para a cachoeira. Os preços são bons, não achei nada caro, mas não esqueça: só dinheiro.

Paisagem 1
Paisagem 2
Paisagem 3

O proprietário do local, Sr. Zezé Manso, muito atencioso sentou na mesa conosco para contar um pouco da história do local, e a parte mais legal foi da lenda dos espiritos dos Caciques e Pagés que habitaram a região e, à noite, causam problemas a quem se arrisca a descer a trilha. Segundo ele, os espíritos empurram as pessoas contra as pedras, contra as árvores, fazem cair, enfim, torna mais difícil o que já é complicado de dia. Existe casos reais de pessoas que se acidentaram tentando fazer a trilha a noite. Bem, é uma lenda, mas não será eu quem irá comprovar. Resolvemos retomar nossa refeição… rs

Almoçados e após muita prosa fomos explorar um pouco o lugar e vi que tem uma área de camping com excelente estrutura de churrasqueiras, chuveiros, banheiros, ducha etc…um gramado muito legal. O valor é de R$ 25,00 por pessoa e aceita casais e famílias, grupo de amigos terá alguma restrição. O Sr. Zezé diz que é para manter o clima familiar.

Área de Camping
Ducha
Área de lazer
Quem já passou por lá

Lugar muito, muito agradável, mas chegou a hora de ir. Cássia do Coqueiros tem mais atrativos, existe uma outra cachoeira, que não fomos, dentro de uma pousada. Esta fica para outra vez. Saindo da Cachoeira do Itambé fomos procurar o Mirante, que soube que é muito legal também.

Pegamos a rodovia a direita da portaria e seguimos em frente. A estrada de asfalto logo acaba e você entra em uma estrada de terra de solo firme, mas sem placas de como chegar ao Mirante. Acontece que estas estradas estão dentro de fazendas, com gado atravessando a pista a todo momento. Dirija devagar. O problema é que estradas de terra dentro de fazendas são todas iguais e não é difícil se perder, mas logo você chega na estrada que te leva ao Mirante.

Estrada Mirante

A estrada é muito bonita, com eucaliptos plantados nos dois lados, que a deixa charmosa, o piso é de areia fofa o carro dança um pouco, de moto dá um pouco de trabalho segurar. Imagino que em época chuvosa o caminho fique com bastante lama daí a dificuldade vai aumentar. Algo que percebi é que ela é pior para quem vem da cachoeira para o Mirante, do que quem vem da cidade São Benedito das Areias. Me pareceu um piso melhor.

Como ela não tem muita sinalização das atrações, e somente no local, você precisa prestar atenção para não perder  a entrada.

A primeira atração que aparece é esta placa:

Gruta

Aqui tem que parar na pista pois não há lugares para estacionar. Desça e vá desfrutar da vista. Neste local tem a antiga plataforma de salto de asa delta, que não sei por qual motivo não é mais utilizada. Há também a gruta, que chamam de Toca da Onça. Estando na plataforma a sua esquerda tem uma pequena trilha que leva a caverna. Ali é casa de muitos morcegos, fui até a entrada, fotografei mas não fui ao fundo dela. É descida e profunda. Não quis arriscar.

Toca do Onça 1
Toca da Onça 2
Plataforma de salto

Continuando na mesma estrada logo adiante temos esta outra placa:

Placa Mirante

Tem uma pequena viela de terra, entre e tem local para estacionar. Dali uma trilha de uns 20 metros se chega ao Mirante. A vista é de uma beleza ímpar, tira o folego e os pensamentos voam, ali é saborear a vida e o que ela te oferece…

Mirante 1
Mirante 2
Mirante 3
Mirante 4
https://www.youtube.com/watch?v=ha1TFpCW1lU

É possível ver mais de 6 cidades, deve ter mais ao alcance da vista, mas como não enxergo muito bem de longe… vi 6 rs.

Para se ter uma ideia esta foto foi tirada da SP 340, já retornando..

Alto

Saindo do Mirante a direita você continua na estrada de terra, com piso um pouco mais firme, continua atravessando fazendas, com belas paisagens e sai na Estrada Municipal Mococa – São Benedito das Areias. É uma descida de serra que deve ser feita devagar afim de curtir tudo que ela oferece, e tem muito a se ver…

O final desta Estrada Municipal é no trevo da SP 340, que é o nosso caminho de volta para casa. Foi realmente uma aventura fantástica, que, no nosso caso, além de valer muito a pena por tudo que vivemos e vimos, teve um toque de superação pessoal, que para nós foi o mais importante da viagem. Realmente podemos coisas que nem imaginamos.. obrigado por ler.. e até a próxima aventura!

 

 

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