Descendo a Serra da Graciosa sob chuva

Por Marcão em 23 de agosto de 2016
Muita chuva na serra

Fala, galera!

Fui convidado pelo 3 Na Estrada a relatar minha última viagem (mais) longa de moto, de São Paulo-SP a Morretes-PR.

Mas antes de tudo, deixa eu me apresentar:
Sou o Marcão, motociclista (ou motoqueiro, eu realmente não me importo com isso), integrante de moto clube e realmente apaixonado por motos.
Tenho um podcast sobre motociclismo e cultura custom que vocês podem conferir em Rota 66 Cast. Toda semana tentamos produzir conteúdo novo.

Viajo bastante com minhas companheiras de estrada e da vida, e acredito que viagens sempre acabam virando histórias pra contar.
Uma dessas viagens foi a última que fizemos. E por que? Simples. Porque algumas pessoas são sensatas. Nós não.

Vamos do início.

 

Parte 1: O Veículo

Uma de minhas companheiras, a mecânica, é uma Electra Glide. Pros entusiastas da Harley-Davidson, uma carburada.
É uma motoca com um projeto “xicana” em andamento, e um dia quero terminá-lo.
A suspensão a ar, tanto na frente quanto atrás, ajuda a amortecer um pouco as irregularidades do nosso asfalto e de quando eu resolvo colocá-la na terra.

Precisei fazer uma limpeza de carburador por conta de uma viagem a Pouso Alegre-MG, onde abasteci em algum posto muito ruim pelo caminho que fez com que a boia do mesmo colasse aberta. Como estava próximo da kilometragem, aproveitei e pedi a troca do óleo do motor. Ela encararia ainda uma viagem a Ouro Fino-MG, que aconteceu uma semana antes desta narrada.

Comecei fazendo o check-up básico:

  • Pneus: Ok
  • Faróis: Ok
  • Lanternas: Ok
  • Freios: Ok

Vamos cair os 3 na estrada?
 

Parte 2: Condições Climáticas

Consultando os serviços meteorológicos, descobrimos que estaria chovendo em Morretes, e em praticamente todo o caminho.
Faríamos a rota pelo litoral, mais adiante eu explico melhor o caminho.
Diante dessa informação, alguns integrantes do clube cancelaram sua ida, ou por eles mesmos ou por suas companheiras.
Nessa hora minha outra companheira, a esposa, me disse um “nós vamos”. Puta merda, ela também não tem senso!

Sem ninguém para nos dizer “não façam isso”, juntamos algumas roupas numa mochila e pegamos estrada.

 

Parte 3: O Trajeto de Ida

Sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Fomos na sexta-feira a noite (19/08/2016) de São Paulo a Itanhaém, no litoral sul. Dormiríamos por lá para, no sábado de manhã, seguirmos viagem até Morretes no Paraná.
Pegamos um pouco de neblina na Rod. Imigrantes (SP-160). Nada que atrapalhasse.
Já depois de descer a serra, na Pe. Manoel da Nóbrega (SP-055), pegamos uma garoa grossa que molhou um pouco nossas roupas.
Essa garoa durou de Praia Grande até Itanhaém.
A estrada estava tranquila, bem vazia pra uma sexta-feira. Aliás, as rodovias são muito boas. Duplicadas e com o asfalto liso.
Pude travar a moto nos 80km/h – limite da Pe. Manoel da Nóbrega – em Mongaguá e só assumir de novo em Itanhaém pra pegar a saída da estrada (e em um posto de fiscalização da Polícia Militar, onde o limite é 40km/h).

Vamos descansar que amanhã tem chão.

Sábado, 20 de agosto de 2016

O dia amanheceu nublado. Como choveu bastante durante a noite, tinha esperança de uma trégua.
Nos encontramos com nossos companheiros de viagem no km 338 da Pe. Manoel da Nóbrega. Mais duas motos, dois casais.
Seguimos pelo litoral até Peruíbe, e a partir daí a estrada se torna uma serra.
Por essa serra, passamos por Itariri e Pedro de Toledo, onde a estrada passa a se chamar Rod. Governador Mário Covas.

Em Miracatu saímos da serra e entramos na BR-116 – ainda com o tempo nublado – que nesse trecho é conhecida como Régis Bittencourt.
Na Régis passamos por Juquiá e chegamos em Registro. Existe uma parada muito boa, Graal Petropen, entre Registro e Jacupiranga. Hora de parar pra abastecer.

Pouco antes de Jacupiranga começou a chover, e esta seria nossa companheira por todo o restante do caminho.
Passamos por Cajati e avançamos pela Serra do Azeite, perigosa, escorregadia.
Por lá os caminhões empurram quem quer que esteja no caminho deles e não custa muito para ver um acidente. Pra nossa sorte, dessa vez não vimos nenhum.

Paramos para abastecer de novo logo após a serra, no primeiro posto com bandeira que encontramos. De lá seguimos para a divisa do estado.

Logo após o último pedágio, que aliás são 4 distribuídos pela Régis (a R$ 1,25 cada um para motos), encontramos a saída para a Serra da Graciosa.
Paramos para bater algumas fotos no portal.

Finalmente depois de muita chuva, o início da Serra.

Mas não havia terminado ali. Na verdade, nossa aventura estava apenas começando.
A Serra da Graciosa tem alguns trechos de curvas bem fechadas e paralelepípedo. Tentei fazer uma filmagem, mas a água era tanta que embaçou a lente da câmera (e a viseira do capacete).

Mas não tem problema. Pra contemplar a beleza da serra, basta assistir ao vídeo do ano passado.

 

Parte 4: Morretes

Chegando em Morretes fomos procurar o hotel. A cidade é bem pequena, mas ainda não me acostumei a andar por ela.
O hotel que reservamos fica na beira do Rio Nhundiaquara, e leva seu nome.

Em Morretes existe uma rua que beira o rio que parece um calçadão. Muito bonita e permite a passagem de veículos. O hotel fica nessa rua.

Como é costume no sul do país, o hotel é em madeira – ou pelo menos seu interior – e isso lhe dá um ar aconchegante.

O quarto é bacana, bem arrumado e bonito.

O Rio Nhundiaquara corta a cidade, e da outra vez em que viemos, em janeiro, fazia muito calor e o rio tinha uma água bem cristalina.
Seu nível também era muito baixo e haviam pessoas nadando por ele.

Não foi o que encontramos dessa vez.
Além do frio típico da época, as chuvas fizeram subir bastante o nível do rio e trouxeram uma água bem suja pra cidade.

Rio Nhundiaquara muito cheio e sujo
Rio Nhundiaquara muito cheio e sujo

Feito o check-in precisávamos almoçar.
O prato típico de Morretes é o barreado, que não comemos da outra vez em que estivemos por lá.
Nada mais justo então do que comê-lo agora.

Já era quase umas 16:00, mas o pessoal do hotel indicou o restaurante My House, também na beira do lago nessa mesma rua/calçadão.

Pedimos o barreado e primeiro eu aprendi a fazer…

Depois eu tentei.

O prato é muito bom, recomendo para quem for a Morretes.
Seguem algumas fotos do local.

Tela Morretense
Marco Zero da cidade
Parque à margem do Rio Nhundiaquara
Parque à margem do Rio Nhundiaquara
Rio invadindo o parque em sua margem

 

Parte Final: A Volta

Domingo de manhã era hora de pegar estrada de volta.
Estava chovendo bastante, e depois de um pouco de lama encontramos com nosso companheiros de viagem, mas devido à chuva resolvemos não subir a Serra da Graciosa.
Ao invés disso seguimos pela Rod. Dep. Miguel Bufara (PR-408) sentido Grande Estrada, ou BR como é conhecida por lá (BR-277).
Nessa estrada, perto de São José dos Pinhais, tem um pedágio pesado para motos: R$ 9,00. Absurdo.

Chegando em São José dos Pinhais pegamos a saída para Piraquara, passamos por Quatro Barras e voltamos para a Régis.
Além da chuva, o frio nos acompanhou o caminho inteiro.

Fizemos o mesmo caminho na volta, mas diferente do dia anterior, vimos alguns acidentes pelo percurso, principalmente na Serra do Azeite, e a maior parte de caminhões.
Depois de algumas paradas para abastecer e tomar um café para esquentar, alcançamos novamente o litoral paulista, onde um dos nossos companheiros de viagem se despediu. Subimos novamente a Rod. Imigrantes e chegamos em casa ensopados.

Não foi fácil, não foi confortável e tampouco seguro, mas querem saber?
Não vejo a hora de ir pra próxima!

Tem alguma dúvida ou algo a acrescentar?
Deixa seu comentário aí em baixo, tentarei responder a todos.

 

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